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Cláudio Joaquim


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31/12/2008 13:44:16 :: MARIA CARVALHOSA


Fragilidade

O teu rosto frágil,
a serenidade dos teus gestos,
a tranquilidade do lago azul dos teus olhos...

...e, no entanto meu amor,
que turbilhão de emoções rodopia no teu íntimo?

Pudesse eu penetrar, de alguma forma,
a matéria de que são feitas as tuas inquietudes e sobressaltos!...

Soubesse eu interpretar a subtileza dos teus sinais
esparsos,
contidos,
resguardados!...



(Maria Carvalhosa)

 
31/12/2008 13:40:38 :: MARIA CARVALHOSA




Fotografia de António Rodrigues


Haiku para um Cisne

Nas turvas águas do lago verde-escuro
flutuam elegância e majestade
no sereno deslizar de um alvo cisne.



Posted by maria carvalhosa
 
31/12/2008 13:36:00 :: MARIA CARVALHOSA


As Ondas

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)


Fui procurar-te no nosso sítio de sempre. Não estavas.

Sentei-me e fiquei a olhar o vaivém das ondas, a desfazerem-se em espuma, na areia branca e fina, a meus pés.

Perante tal beleza e ao som do mar que me embalava, a tua ausência não passava de um pormenor sem importância.

Dei por mim a bailar, vestido ao vento, no alto do penhasco.

O que terias feito para dançar comigo nesse dia!?


Posted by maria carvalhosa
 
31/12/2008 13:17:18 :: DEUSANEGRA
                                                                              Hoje eu não vivi...


Hoje eu não vivi...
Não senti o sol, não senti o vento, não vi as árvores,
Os pássaros eu não ouvi...

Vi as lágrimas... vi a dor... vi o ódio, vi o rancor...
O Homem cruel, sem amor, balbuciando versos sem nenhum valor...

A vida lá fora expressava alegria,
Eu, prisioneira da dor, Morria!...

Onde está o amor?
A justiça que alivia?
No fogo do inferno, solitária, Ardia!...

Depois veio o silêncio, mas eu já não existia!
Chorei o dia, a tarde vazia...
À noite escrevi canção que ninguém ouvia.
Permaneci só. Que agonia!... Morrer queria!...

Cadê o sol que me aquece? O vento que me acalenta?
As árvores que enfeitam?
Cadê a vida que não vejo? Não sinto?    Pressinto!...

Cadê a tua mão estendida em minha direção?
Teus braços abertos em proteção?
Teu sorriso certo, na hora da aflição?... Cadê você meu irmão?...
Morri mas uma vez sozinha!... Justiça era tudo que eu queria!...
Sobraram apenas brasas da minha fantasia...

Assim, fica meu canto, pranto de agonia
Espalhados na tua mente, sem nenhuma rebeldia.

Quem sabe no amanhã, diante da minha fotografia,
Reconheças a minha dor, descritas nestas linhas
E morras junto comigo para essa idiolatria...

Hoje eu não vivi... Mais uma vez, Morri!...

Escrita em 24/maio/1996.
(Publicada em 29/12/2008)
DEUSANEGRA
 
31/12/2008 13:14:56 :: DEUSANEGRA
Incerteza

O que virá?
Não sei ao certo...

Solidão tão perto, cortando como ferro...

Lá fora a vida corre;

Músicas,
Risos,
Ações...

Eu! Silêncio, vazio...
Espero o que nunca vem!

Sigo na estrada da vida
Sem vida, sem luz, naufrago da insipidez...

O que virá?
Não sei!...

Sou passageiro que segue
Do lado de fora do trem...

Contemplo a vida imóvel,
Displicente.

Sigo na estrada da vida, Sem vida
Mutante, Perdida!


DEUSANEGRA

 
31/12/2008 13:12:12 :: DEUSANEGRA

ROSE

É noite insone e tu não estás aqui,
Mas teu perfume entranhado na alma da gente
Corre a servir-nos de alento, consolo... Findo na vontade de ver-te.
Invejo os teus dias que a tiveram alegre, triste, plena de Deus.
...Viverás! Não me julgues inocente e nem te rias de mim ante esse afã, se de ti não fujo é que te amo e sempre te amarei minha irmã que a morte cruel tragou,   
Mas que Deus a resgatou para si...
Se desfaçam meus erros quando pensar em ti e no que foste aqui, entre os homens!
Ficam a saudade, sombras do meu sentir de ti, ó minha irmã que por minhas dores e
Dissabores tu definhavas, sem desistir de mim.... Beijarei tua lembrança santa nos meus dias solitários... No meu amor onde vagam meus desejos de ti...
O ano é findo e com ele a dor que senti quando te vi lânguida... Sem vida!...
Um novo ano vem chegando como um eco divino a estrugir um mundo novo, diferente!
Queira eu, seja repleto do que fostes aqui...
Que os mortais se permitam ouvir a minha alma e conhecer a minha dor, mas ditoso o meu ardor...
...Saudades eternas!


 
28/12/2008 13:20:45 :: Cláudio Joaquim (Tio Cláudio)


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