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Cláudio Joaquim


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31/12/2008 22:38:14 :: ARAUJO FRANCO


POEMA DO PAI NARCISO – NHO ZÉ
Quando o sino repicando, principia anunciando os festejos de natal me vem logo na lembrança os meus tempos de criança na história que eu vou contar.
Pai Narciso era um velhinho que andava já arcadinho se escorando em um bordão, tinha barba comprida e branquinha parecida com um punhado de algodão.
Trazia nos ombros curvados um saco muito surrado que a sua mão não largava, e era naquela sacola que ele guardava as esmolas que o povo sempre lhe dava.
Por ali ninguém sabia quanto tempo já fazia que o velhinho apareceu    naquele rosto enrugado, naquele olhar tão cansado sua história ninguém leu.
Só sei que quando ele passava a minha mãe me chamava e me dizia contente:
O Papai Noel vai passando, seja bonzinho este ano que ele te traz um presente.
E eu que andava até doente, maluco com a idéia quente prá morde um paiacinho engraçado que eu enxerguei na vitrina, numa loja lá da esquina num cordão dependurado.
Quando o natal foi chegando minha mãe foi me chamando os meus irmãozinhos também, me lembro ela disse chorando, meus filhos eu sei que este ano o Papai Noel não vem.
Só agora eu to compreendendo eu era muito pequeno, nove anos ou pouco mais, eu não tinha imaginado que um pai desempregado muito quer mais nada faz.
Fiquei então na janela, esperei passar por ela aquele velho arcadinho, fui correndo na calçada, peguei na sua mão enrugada e lhe disse com carinho:
Papai Noel, eu sou bonzinho, cuido dos meus irmãozinhos e estudo a minha lição, não esqueça o meu endereço, Papai Noel, eu sei que eu mereço, o senhor foi sempre bom.
Não quero pião nem bola, nem tomovinho de mola, nada disso eu vou querer, é só um paiaço de cordinha, daquele lá da lojinha, só isso eu peço proce.
O velho não disse nada, foi andando pela calçada foi embora sem volta, mais eu por mim já sabia que o presente eu recebia quando chegasse o natal.
Por fim o natal chegou, minha mãe muito chorou    quando foi prá nois deita, quando o dia clareou na sandainha furada nem paiacinho nem nada pra consolar a minha dor.
Fiquei então na janela, esperei passar por ela aquele velho marvado, tarveis ele não soubesse que a criança nunca esquece o presente desejado.
Mas olhando na calçada, bem na porta da entrada um vulto fui enxerga, Pai Narciso ali estendido de frio tinha morrido bem na noite de natal.
Atirado assim ao lado tava um saco remendado doutra banda o seu bordão, e o meu paiacinho engraçado, num cordão dependurado tava preso na sua mão.
E daquele dia em diante eu não pensei nenhum instante num presente receber, é que garro a me lembrar que foi na noite de natal que vi Papai Noel morrer.

 
31/12/2008 15:18:29 :: Cláudio Joaquim (Tio Cláudio)
 
31/12/2008 15:07:55 :: Cláudio Joaquim (Tio Cláudio)
Linda mensagem Miriam.
Eu acredito que cada momento é um milagre.
A vida é um milagre.
Somos um grande milagre!

 
31/12/2008 13:44:16 :: MARIA CARVALHOSA


Fragilidade

O teu rosto frágil,
a serenidade dos teus gestos,
a tranquilidade do lago azul dos teus olhos...

...e, no entanto meu amor,
que turbilhão de emoções rodopia no teu íntimo?

Pudesse eu penetrar, de alguma forma,
a matéria de que são feitas as tuas inquietudes e sobressaltos!...

Soubesse eu interpretar a subtileza dos teus sinais
esparsos,
contidos,
resguardados!...



(Maria Carvalhosa)

 
31/12/2008 13:40:38 :: MARIA CARVALHOSA




Fotografia de António Rodrigues


Haiku para um Cisne

Nas turvas águas do lago verde-escuro
flutuam elegância e majestade
no sereno deslizar de um alvo cisne.



Posted by maria carvalhosa
 
31/12/2008 13:36:00 :: MARIA CARVALHOSA


As Ondas

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)


Fui procurar-te no nosso sítio de sempre. Não estavas.

Sentei-me e fiquei a olhar o vaivém das ondas, a desfazerem-se em espuma, na areia branca e fina, a meus pés.

Perante tal beleza e ao som do mar que me embalava, a tua ausência não passava de um pormenor sem importância.

Dei por mim a bailar, vestido ao vento, no alto do penhasco.

O que terias feito para dançar comigo nesse dia!?


Posted by maria carvalhosa
 
31/12/2008 13:17:18 :: DEUSANEGRA
                                                                              Hoje eu não vivi...


Hoje eu não vivi...
Não senti o sol, não senti o vento, não vi as árvores,
Os pássaros eu não ouvi...

Vi as lágrimas... vi a dor... vi o ódio, vi o rancor...
O Homem cruel, sem amor, balbuciando versos sem nenhum valor...

A vida lá fora expressava alegria,
Eu, prisioneira da dor, Morria!...

Onde está o amor?
A justiça que alivia?
No fogo do inferno, solitária, Ardia!...

Depois veio o silêncio, mas eu já não existia!
Chorei o dia, a tarde vazia...
À noite escrevi canção que ninguém ouvia.
Permaneci só. Que agonia!... Morrer queria!...

Cadê o sol que me aquece? O vento que me acalenta?
As árvores que enfeitam?
Cadê a vida que não vejo? Não sinto?    Pressinto!...

Cadê a tua mão estendida em minha direção?
Teus braços abertos em proteção?
Teu sorriso certo, na hora da aflição?... Cadê você meu irmão?...
Morri mas uma vez sozinha!... Justiça era tudo que eu queria!...
Sobraram apenas brasas da minha fantasia...

Assim, fica meu canto, pranto de agonia
Espalhados na tua mente, sem nenhuma rebeldia.

Quem sabe no amanhã, diante da minha fotografia,
Reconheças a minha dor, descritas nestas linhas
E morras junto comigo para essa idiolatria...

Hoje eu não vivi... Mais uma vez, Morri!...

Escrita em 24/maio/1996.
(Publicada em 29/12/2008)
DEUSANEGRA
 
31/12/2008 13:14:56 :: DEUSANEGRA
Incerteza

O que virá?
Não sei ao certo...

Solidão tão perto, cortando como ferro...

Lá fora a vida corre;

Músicas,
Risos,
Ações...

Eu! Silêncio, vazio...
Espero o que nunca vem!

Sigo na estrada da vida
Sem vida, sem luz, naufrago da insipidez...

O que virá?
Não sei!...

Sou passageiro que segue
Do lado de fora do trem...

Contemplo a vida imóvel,
Displicente.

Sigo na estrada da vida, Sem vida
Mutante, Perdida!


DEUSANEGRA

 
31/12/2008 13:12:12 :: DEUSANEGRA

ROSE

É noite insone e tu não estás aqui,
Mas teu perfume entranhado na alma da gente
Corre a servir-nos de alento, consolo... Findo na vontade de ver-te.
Invejo os teus dias que a tiveram alegre, triste, plena de Deus.
...Viverás! Não me julgues inocente e nem te rias de mim ante esse afã, se de ti não fujo é que te amo e sempre te amarei minha irmã que a morte cruel tragou,   
Mas que Deus a resgatou para si...
Se desfaçam meus erros quando pensar em ti e no que foste aqui, entre os homens!
Ficam a saudade, sombras do meu sentir de ti, ó minha irmã que por minhas dores e
Dissabores tu definhavas, sem desistir de mim.... Beijarei tua lembrança santa nos meus dias solitários... No meu amor onde vagam meus desejos de ti...
O ano é findo e com ele a dor que senti quando te vi lânguida... Sem vida!...
Um novo ano vem chegando como um eco divino a estrugir um mundo novo, diferente!
Queira eu, seja repleto do que fostes aqui...
Que os mortais se permitam ouvir a minha alma e conhecer a minha dor, mas ditoso o meu ardor...
...Saudades eternas!


 
28/12/2008 13:20:45 :: Cláudio Joaquim (Tio Cláudio)


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